Rechercher dans ce blog

Thursday, July 8, 2021

Dólar fecha em alta mesmo após intervenção do BC - Valor Econômico

A combinação de piora do apetite por risco global, questões domésticas e posição técnica desfavorável no mercado colocou novamente pressão de alta no dólar nesta quinta-feira. Diante de um cenário nada favorável, o dólar saltou acima de R$ 5,30 pela primeira vez desde 27 de maio pela manhã, o que desencadeou a primeira intervenção do Banco Central no câmbio desde março.

Com uma “linha na areia” riscada perto desse patamar, o dólar rapidamente começou a testar mínimas e até operou em leve queda durante certo momento, antes de acabar se recuperando. No fim, a moeda americana fechou em alta de 0,28%, negociado a R$ 5,2538.

A ação do BC serviu para moderar uma tendência de alta do dólar no Brasil que chegou hoje ao oitavo pregão, período no qual ele subiu 6,62%. A autoridade monetária vendeu 10 mil contratos de swap cambial, o equivalente a US$ 500 milhões. Há quem diga, no mercado financeiro, que a autoridade monetária poderia, inclusive, ter agido antes diante de tal cenário.

"Vamos ver se o mercado acalma agora, o que é bem possível, dado que a posição técnica está bem mais limpa”, comenta o gestor da Galápagos Capital, Sergio Zanini. “O que preocupa é como é fácil estragar uma tendência de apreciação do real. Ela é necessária e tem bom fundamento por trás, mas na hora da fragilidade o mercado mostra que a porta de saída é pequena e que é necessária a ajuda do BC para estabilizar.”

Em sua avaliação, a situação hoje é parecida com a vivida em janeiro, quando o mercado estava bastante positivo em relação ao real, mas foi pego no contrapé por uma série de questões, em uma escalada que fez a moeda tocar a máxima do ano, de R$ 5,87. “Só que hoje a situação é muito melhor estruturalmente do que era lá atrás”, complementa.

Lá fora, o mau humor generalizado e sem motivos claros além de uma aparente combinação de preocupações - que passa pela variante delta da covid-19, dados piores que o esperado dos EUA e a sinalização da China de que pode cortar a taxa de exigência de reservas para dar suporte ao ambiente de negócios - acabou colocando o investidor na defensiva. Realização de lucros ou não, o dólar acabou se fortalecendo contra o real e pares emergentes, mas cedeu contra outras divisas consideradas mais seguras, como o iene e o franco suíço. No horário de fechamento, subia 0,24% contra o peso mexicano, 0,13% frente ao rand sul-africano e 0,19% ante a lira turca.

No Brasil, este cenário é agravado pela reação negativa dos agentes financeiros à proposta de reforma tributária do governo federal e também a tensão política em Brasília. Além dos eventos que têm como foco a CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), hoje também saíram novas pesquisas apontando queda da aprovação do governo do presidente Jair Bolsonaro. No Datafolha, divulgado no fim desta tarde, a rejeição do presidente alcançou um novo recorde, de 51%,

O momento de maior cautela, no entanto, ainda não significa uma mudança de cenário. Em sua revisão mensal de cenário, o Itaú Unibanco manteve sua projeção de dólar a R$ 4,75 no fim do ano. “A despeito da volatilidade observada recentemente, mantivemos a nossa projeção. A taxa Selic mais alta, o aumento dos preços de commodities e a recuperação econômica mais forte resultam numa redução no prêmio de risco e já se refletem em fluxos comerciais e financeiros mais favoráveis, abrindo espaço para apreciação da moeda em relação aos patamares atuais”, diz o banco. “As incertezas domésticas e relacionadas à evolução da variante delta do coronavírus, no entanto, podem atrasar tal movimento”, afirma.

“Para 2022, projetamos depreciação da moeda para R$ 5,10 por dólar. O cenário global de retirada de estímulos, juros mais elevados e dólar mais forte tende a pressionar o real e outras moedas emergentes. Os preços mais elevados de commodities, os efeitos defasados do câmbio e a recuperação global seguem impactando positivamente as contas externas”, acrescenta o Itaú.

 — Foto: Daniel Acker/Bloomberg

— Foto: Daniel Acker/Bloomberg

Adblock test (Why?)


Dólar fecha em alta mesmo após intervenção do BC - Valor Econômico
Read More

No comments:

Post a Comment

Com Selic a 11,25%, quanto rende investimento de R$ 1 mil? - Revista Oeste

Nesta quarta-feira, 31, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cortou pela quinta vez consecutiva a taxa básica de j...